Folha de São Paulo, 19 de agosto de 2000

Fiel Transcrição:
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PF culpa Tuma por "dificuldades"
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Segundo o texto, os episódios vêm "denegrindo a imagem da PF e colocando por terra todos os anteriores excelentes serviços prestados à comunidade".
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LUIZ CAVERSAN

DA REPORTAGEM LOCAL

A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) atribui, por intermédio de texto assinado por seu presidente em exercício, João Valderi de Souza, ao ex-diretor da PF e candidato à Prefeitura de São Paulo, Romeu Tuma (PFL), parcela da culpa pelas dificuldades que os policiais vêm encontrando para localizar e prender o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.

Sob o título de "Culpa? Nem tanto", o texto divulgado pela associação de policiais aborda a fuga do ex-juiz, a do banqueiro Salvatore Cacciola e também o sequestro do avião da Vasp, ocorrido esta semana no sul do país.

Segundo o texto, os episódios vêm "denegrindo a imagem da PF e colocando por terra todos os anteriores excelentes serviços prestados à comunidade".

Nicolau

O nome de Romeu Tuma —que dirigiu a Polícia Federal entre 1985 e 1992— é citado duas vezes pelo dirigente da Fenapef, entidade que congrega cerca de 7.000 policiais em todo o país.

Na primeira, diz o seguinte, referindo-se ao desaparecimento do ex-juiz Nicolau: "Outra coisa que ninguém sabe, ou esqueceram (sic), é que o ex-diretor-geral Romeu Tuma, por meio de portaria, aboliu o registro de entrada e saída de brasileiros do país, ficando extinta (sic) o preenchimento das tarjetas que eram usadas para esse propósito. Hoje, qualquer um sai e entra no país a hora que quiser sem deixar rastro (...)".

Em outro trecho do texto, agora relativo ao sequestro do avião da Vasp, João Valderi de Souza afirma: "(...) As críticas já começaram: como é que bandidos conseguem entrar com armas passando pela Polícia Federal nos aeroportos? (...) Ninguém sabe que os homens e mulheres que trabalham nas máquinas de raios X não são da Polícia Federal".

Segundo afirma, esses funcionários "são servidores de empresas de segurança particulares, que são contratados sem nenhum treinamento policial".

Senador diz que decisão não era de sua alçada

DA REDAÇÀO

O senador Romeu Tuma enviou carta à Folha dizendo que a "afirmação da Fenapef é mentirosa". Segundo ele, "a medida não depende do superintendente da PF, mas de lei ou de determinação do Ministério da Justiça". "Não criei o que não era de minha alçada", afirmou Tuma.