AS TRÊS MAIORES PRAGAS QUE CARACTERIZARAM AS GESTÕES FERNANDO HENRIQUE CARDOSO:

  1. Plena indignidade em todos os setores do governo.
  2. Roubo do dinheiro público, corrupção, suborno, evasão de divisas.
  3. Abafamentos, impunidade, defesa aos corruptos

A INDIGNIDADE NO PODER LEGISLATIVO FOI A MAIS MARCANTE NA HISTÓRIA DO BRASIL

VIOLAÇÃO DO PAINEL: O ESCÂNDALO DA BURLA DO VOTO SECRETO:

No mergulho da... INDIGNIDADE

ACM, Regina Célia Borges e José Roberto Arruda

Foto: Revista Época nº 153

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O "DIGNO" DA INDIGNIDADE:

"CORAJOSO E DIGNO", DIZ O PRESIDENTES FHC, SOBRE O DISCURSO DO... "PERDÃO" DE JOSÉ ROBERTO ARRUDA (!!!)

Folha de São Paulo, 24 de Abril 2001

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Folha de São Paulo, 24 de Abril de 2001

Fiel Transcrição

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A má confissão

Questão de palavra

Excelente declaração de Fernando Henrique Cardoso: "As coisas não devem ser jogadas embaixo do tapete. Pensem no Brasil". Bem que poderia ser "pensemos no Brasil", mas é exigir demais.

Então, se não é para esconder no tapete, vamos lá: o Sivam dos radares e construções na Amazônia; o "lobby" dentro do Planalto em favor da multinacional Raytheon; os diálogos entre Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara e Fernando Henrique Cardoso, combinando manipulações da privatizaçâo de telefônicas; a compra de votos pela reeleição; a empresa CH, J& T aberta em um paraíso fiscal e cujo contrato leva o nome de Sérgio Motta e, para encurtar, a recusa de Fernando Henrique a que seja ouvido o advogado americano pronto a falar daquela empresa.

Janio de Freitas, Folha de São Paulo, 24/04/2001

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ALIADOS EM CRISE

Arruda preserva governo ao tentar reduzir punição

'Corajoso e digno', diz presidente sobre o discurso (de José Roberto Arruda)

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Fernando Henrique Cardoso considerou "corajoso e digno" o pronunciamento do ex-líder do governo no Senado José Roberto Arruda (PSDB-DF). "Ele reconheceu seus erros e assumiu humildemente a responsabilidade por eles", afirmou o porta-voz da Presidência, Georges Lamazière, lendo nota ditada por FHC.

Ainda de acordo com o presidente, "o caminho da verdade é o único que permite ao político recuperar sua credibilidade perante seus companheiros e perante a opinião pública".

Segundo a Folha apurou, FHC ficou sensibilizado com o tom do pronunciamento de Arruda e, por tê-lo conhecido de perto, viu o quanto foi difícil para ele assumir o erro diante do plenário.

Também pesou o fato de Arruda ser do PSDB. Com a nota de FHC, entende-se como sendo um recado da alta cúpula tucana para uma espécie de perdão ao senador. Segundo assessores de FHC, apesar de o presidente ter dado uma espécie de perdão a Arruda, isso não significa que ele volte ao cargo de líder.

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KENNEDY ALENCAR

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) seguiu ontem um roteiro tucano para se antecipar a ACM, proteger o governo e tentar diminuir a eventual punição por violar o sigilo do painel da Casa.

Em troca, freou-se a articulação no PSDB para expulsá-lo. Arruda também deverá ter, na medida do possível, um guarda-chuva político do partido. Precisará, porém, preservar o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governo de envolvimento com o escândalo.

Desde a quinta passada, com o depoimento de Regina Borges, ficou insustentável para Arruda manter a versão de que nada sabia da violação. Arruda decidiu confessar a culpa para se antecipar ao assessor Domingos Lamoglia, que sinalizou que contaria versão semelhante à de Regina.

Por orientação de tucanos. Arruda avaliou que tinha uma única saída: tentar igualar sua situação à de Regina. Adotou estratégia de defesa na linha "errei, confesso, mas não sou o cabeça". O maior interessado na violação seria Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Arruda foi convencido por tucanos a se desgrudar de ACM, sob o argumento de que o senador pefelista acabaria jogando a culpa nele a fim de se preservar.

A princípio. Arruda resistiu a abandonar ACM, mas cedeu.

Depois de se "igualar" a Regina, o movimento seguinte de Arruda foi resgatar parte do apoio político que perdera. Nos últimos dias, deu telefonemas desesperados a tucanos, dizendo-se traído pelos comentários de membros da cúpula do PSDB no casamento da filha do ministro da Saúde, José Serra, na quinta-feira passada.

Na cerimônia, os tucanos foram unânimes em decretar sua morte política, mas se dividiram em um ponto. Havia os que desejavam abandoná-lo e os que temiam queimar alguém que conhece segredos de governo.

Prevaleceu o medo no PSDB de que, no desespero, Arruda atacasse FHC. Ontem, o Planalto respirou aliviado quando de, indiretamente, deixou claro não ter avisado o presidente da lista. Preservar FHC foi uma reação à tentativa dos aliados de ACM de propagar o suposto conhecimento de FHC a respeito da lista com os votos da cassação. Para ACM, envolver FHC ajudaria a evitar a cassação. Arruda desistiu, por ora, de complicar a vida do governo.

Tucano adota tática de defesa na linha "errei, confesso, mas não sou o cabeça"

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A confissão que falta

ELIANE CANTANHÊDE

 

BRASÍLIA - O senador José Roberto Arruda tentou repetir a estratégia da ex-diretora do Prodasen Regina Borges, que contou a história verdadeira da violação dos votos secretos para assim recuperar a dignidade e alguma paz de consciência.

Com Regina, deu certo. Com Arruda, não. Antes, ele disse que era tudo mentira e agora diz que é tudo verdade. Com a mesma ênfase! A comparação das lágrimas de ontem com a indignação da semana passada foi constrangedora e chocante.

Arruda disse que assumia publicamente o erro por dignidade e para proteger os funcionários. Com tantas evidências e depois do depoimento de Regina, ele tinha outra opção?

Admitiu quase tudo, mas não que procurou Regina com a intenção explícita de lhe encomendar a violação. É uma brecha para negociar uma pena mais leve que a cassação?

Alegou uma "curiosidade mórbida". Foi só isso? E jurou que ninguém jamais ouvirá dele quem votou como na cassação de Luiz Estevão. 

Está em condições de jurar alguma coisa?

Citou Deus, pediu desculpas e alegou "orgulho", "fraqueza" e "ambição" para dar ao gesto a dimensão humana, não política. Compaixão é suficiente para evitara cassação?

Deixou no ar um recadinho provocativo para o PT, ao confirmar que tinha soprado a violação do painel para o líder petista José Eduardo Dutra. E daí? Em que isso muda a disposição do partido no caso?

E deixou um recado ainda mais picante para FHC, dizendo que fora leal ao governo em "situações de natureza muito mais grave". Uma ameaça? Que situações foram essas?

Justificou as mentiras iradas da semana passada contando que "ninguém via outro caminho a não ser a negação". Um pacto? Com quem?

O principal: relatou que entregou a lista para ACM e que presenciou o telefonema de agradecimento dele para Regina. Abraço de afogados?

Ao confessar, Regina não deixou alternativa para Arruda. Ao confessar, ele não deixou alternativa para ACM. É a confissão que falta.

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