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OU POR FALTA de melhor a dizer, ou para não faltar com mais algum deboche dirigido às reivindicações dos funcionários há sete anos sem
correção de vencimentos, Fernando Henrique Cardoso deu para reclamar do que chama de seu "salário de doutor".
A lembrança é boa e oportuna. Em uns reacende e, em outros, há de suscitar uma curiosidade que, de preferência, não deveria existir, mas, se surgiu, não foi sem motivo.
Pois é isso: já que lembra o seu "salário de doutor", que aliás é uma senhora aposentadoria para quem lecionou tão poucos anos, e beneficiada por certa marotagem de aulas noturnas, o douto presidente poderia responder à curiosidade de saber-se como foi feito o seu patrimônio imobiliário.
Por herança, é notório que não foi. Antes que o mesmo Fernando Henrique se tomasse presidente, vencimentos de professor universitário guardavam certa dignidade. Mas não permitiam, ainda quando engrossados pela contribuição matrimonial, manter família com filhos e adquirir imóveis. Os professores Fernando Henrique e Ruth Cardoso não saíram do possível
Da vida de professor passou a de político no Congresso. Os senadores em geral são ricos, o que faz supor que as passagens precedentes, de muitos deles, por governos estaduais, têm Uma espécie de mandinga para transformar tudo em dinheiro e bens. Seja como for, os vencimentos de deputados e de senadores são decentes, mas nem de longe dariam para investimento imobiliário.
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