Folha de São Paulo, 28 de janeiro de 2002

Transcrição parcial de entrevista

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Alckmin e o efeito Bush

Alckmin gestão

Perfeito assassinado

'Morte foi crime urbano', diz namorada

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A socióloga Ivone de Santana, namorada do prefeito assassinado, durante entrevista em Santo André

ARMANDO ANTENORE

Da reporagem local

Foto: André Sarmento/Folha Imagem

 

A socióloga Ivone de Santana, 38 namorada do prefeito de Santo André, Celso Daniel, não crê que o petista, achadfo morto no dia 20, sofreu sequestro político (vide dialogo parcial a seguir):

 

Folha - Na sua opinião, a mídia não deve divulgar seqüestros?

Ivone - É preciso, antes, dar a chance de a família decidir se deve ou não haver divulgação.

Folha - A sra. julga que a morte do prefeito poderia ter sido evitada?

Ivone - Pensei justamente nisso quando o governador Geraldo Alckmin chegou ao velório e disse: "Meus pêsames".

Folha - Para a sra., o governador é responsável pelo desfecho trágico do seqüestro?

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Ivone - Não quero fazer nenhum discurso político agora, mas a responsabilidade do Estado me parece óbvia. O governo —não só o estadual; o federal também— age tão primariamente... Anuncia aquelas medidas contra a violência, contra pessoas que usam celular pré-pago! A coisa que mais desejo neste momento é que se desvende o crime. Mas você pode estar certo de que, num segundo momento, vou trabalhar muito para que se avalie o procedimento da polícia e do governo. Já decidi que não me omitirei.

Folha - Como a sra. encara a quebra dos sigilos bancário e telefônico do prefeito?

Ivone - A quebra do sigilo bancário é outra violência. A conduta do Celso não está em questão agora. Se desejam analisar sua gestão, que analisem, mas não neste momento. Isso não tem nada a ver com a morte dele. É oportunismo político, desvio de rota. A administração do Celso sempre esteve aberta. O Tribunal de Contas sempre trabalhou em uma dela. Misturar essas conversas agora... Cadê o carro, cadê o cativeiro? Ca-dê a solução do caso? Todas as outras questões podem esperar. Quebrar o sigilo telefônico, é lógico que devem. Não sei por que demoraram tanto para pensar nisso. Mas o bancário? Absurdo.

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