Folha de São Paulo, 27 de janeiro de 2002

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Alckmin e o efeito Bush

Alckmin gestão

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Alckmin e o "efeito Bush"

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Charge Folha, 27/01/2002

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Alckmin só não tem um direito: errar. E ele começa a errar quando permite que sua polícia deixe de lado os assassinos de Celso Daniel para escarafunchar a vida do assassinado e tentar fazer um carnaval disso.

A polícia investiga há quatro meses a morte de Toninho do PT, sem resultados. Mas age com uma pressa danada ao quebrar o sigilo bancário de Celso Daniel, tentar invadir sua casa, resvalar para insinuações pessoais.

Se a polícia for eficiente e rápida, pode chegar aos culpados e dar boas fotos e bom discurso de campanha para Alckmin. Mas, ao tentar transformar a vítima em réu, pode transformar Alckmin no vilão da história.

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ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA

 - Desde que o governador Mário Covas deixou o cargo, a preocupação de Geraldo Alckmin é fazer a transição bem devagar, assumir para valer só na hora certa e entrar no ano eleitoral com o "seu" governo.

Mas governar é administrar crises, e Alckmin não faz outra coisa. O PCC, a megarrebelião de 29 presídios, o seqüestro de Silvio Santos, a morte do seqüestrador Fernando Dutra Pinto, os assassinatos de Toninho do PT em Campinas e agora de Celso Daniel em Santo André. Sem falar na rotina de desemprego e miséria.

Não é fácil Além da dor de cabeça e da insônia, faz um estrago danado em biografias, imagens e candidaturas, principalmente em ano eleitoral. Mas líderes e bons políticos se fazem na adversidade.

Se a morte de Celso Daniel fosse a 15 dias ou a um mês da eleição, Alckmin estaria frito. Seria como o efeito CSN a favor do PT, ou como o efeito Abílio Diniz contra o PT. Mas, a nove meses, Alckmin tenta algo como o "efeito Bush": o 

presidente dos EUA capitalizou os atentados de 11 de se tembro a seu favor e conquistou uma popularidade que jamais teria. Alckmin só não tem um direito: errar. E ele começa a errar quando permite que sua polícia deixe de lado os assassinos de Celso Daniel para escarafunchar a vida do assassinado e tentar fazer um carnaval disso.

A polícia investiga há quatro meses a morte de Toninho do PT, sem resultados. Mas age com uma pressa danada ao quebrar o sigilo bancário de Celso Daniel, tentar invadir sua casa, resvalar para insinuações pessoais.

Se a polícia for eficiente e rápida, pode chegar aos culpados e dar boas fotos e bom discurso de campanha para Alckmin. Mas, ao tentar transformar a vítima em réu, pode transformar Alckmin no vilão da história.

Os seqüestros, sozinhos, não determinam a derrota e muito menos a vitória de Alckmin em outubro. Tudo depende de como ele e sua polícia enfrentarem a situação.

Essa é a grande chance de Alckmin deixar de ser o "chuchu diet" do Zé Simão para ser definitivamente o herdeiro de Covas. É pegar ou largar.

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Charge-Folha de São Paulo, 02 de fevereiro de 2002

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