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Folha se São Paulo, 20 de novembro de 2001
Fiel transcrição:
JÂNIO DE FREITAS
Por falar em sucessão
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DITOS COM clareza, são simples os motivos do golpe baixo que a cúpula do PMDB desfere em Itamar Franco, alterando a regra das prévias internas pela convicção de que, em jogo razoavelmente limpo, ele seria indicado pela maioria dos peemedebistas como candidato à sucessão presidencial A orientação do PMDB esta, há tempos, sob domínio de uma versão partidária da chamada "banda podre da polícia", cujo atividade no Congresso e nos governos concentra-se nas variadas modalidades, sobretudo as mais sórdidas, que consagraram o dito "é dando que se recebe". E Itamar Franco não é parceiro para essa atividade.
O PMDB virou Arena e pratica hoje o mesmo golpe que a ditadura militar executava para impedi-lo de vencer a Arena:
muda a regra. Mas, se não era moralmente melhor, a Arena tinha menos desfaçatez na corrupção do que os "anões" e congêneres do PMDB.
Esse partido controlado pelo que há de pior na política brasileira, em se tratando de facções no Congresso e no governo, é o maior na política brasileira. E nisso está a maior parte da explicação possível para o que são a política, o Congresso e a maioria dos governos no Brasil da atualidade.
Já as acusações de intriga, divisionísmo e jogo sujo que são feitas, sobretudo por jornalistas, a atitudes dos que pretendem a indicação do PSDB, para disputar a sucessão presidencial, são mais de torcedores e de chutadores do que fatos. No PSDB, as divergências provêm, todas, da permanência de José Serra no Ministério da Saúde. O mais tem sido disputa
política dentro de padrões aceitáveis.
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O principal incentivador de especulações sobre a saída de Serra do governo é Fernando Henrique Cardoso, por intermédio dos seus habituais
manipuladores de jornalistas. Mas, para Serra, antecipar sua saída do ministério, de onde só precisaria sair no princípio de março, seria perder o melhor propulsor de sua
pré-candidatura, o que não faz sentido. E, em termos mais amplos, favoreceria, mais do que a outros pretendentes peessedebistas, a governadora Roseana Sarney (isso deve explicar certas insistências, indiretas embora, pela saída de Serra).
Mais pesado ficará o quadro do PSDB a partir de agora, com o novo ministro da Justiça e o novo secretário-geral da Presidência. Logo em suas primeiras entrevistas, Aloysio
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Nunes Ferreira, tratando os professores universitários como "essa gente", e Arthur
Virgílio, com insultos bobos dirigidos a Lula da Silva, mostraram haver entrado nos novos cargos com os pés. E lá não foram postos senão por sua preferência por essa maneira.
A propósito, José Gregori desempenhou-se no Ministério da Justiça sempre com serenidade, procurou ser equilibrado e evitou a desmoralização do cargo por parcialidades políticas. O que não fez contra a insegurança urbana, também por falta dos meios que não lhe foram passados pela Fazenda, fez pelos direitos humanos por intermédio das famílias de mortos e desaparecidos na ditadura. Foi substituído no ministério quando mais conviria que lá permanecesse.
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