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NO
ANTRO DAS TORTURAS DO LARGO GENERAL
OSÓRIO
SOB
DIREÇÃO DO DELEGADO ROMEU TUMA E DE SÉRGIO PARANHOS FLEURY
Diário Popular, 18 de março de 1999
Fiel Transcrição:
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Desaparecem
fichas do arquivo secreto do Dops |
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Parte
do material foi deixada na sala do Palácio da Polícia. |
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Jilmar
Tatto ficou indignado com o material encontrado na sala. |
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ANTÔNIO CARLOS SILVEIRA A sala onde estão os arquivos secretos com
informações políticas sobre milhares de pessoas, ao estilo do extinto Departamento de
Ordem Social e Política (Dops), passou por uma verdadeira "faxina" antes de ser
visitada ontem por uma comissão de deputados estaduais. A limpeza não se resumiu à
poeira, pois fichas com material político e alertas do tipo "Terrorista.
Subversivo" desapareceram dos fichários junto com a coleção de bandeiras de
partidos de esquerda e de sindicatos. Ainda assim, os sete deputados estaduais da
comissão, que visitou a sala, às 14h de ontem, ficaram impressionados com o material
deixado para trás no 15° andar do Palácio da Polícia, na Luz. "O Dops é aqui
mesmo", constatou o deputado Jamil Murad (PC do B). Só homens da Polícia Civil têm
acesso ao local.
Segundo apurou o DIÁRIO POPULAR, o policial que
denunciou a existência do arquivo político possui álbum fotográfico e cópias de
documentos feitos antes da limpeza. O deputado Renato Simões (PT) disse que se ficar
provado que documentos sumiram, os responsáveis serão chamados para dar explicações.
"Pedimos cópia da denúncia desse policial e vamos chamá-lo para que diga
exatamente como estava o arquivo, pois se mexeram nos papéis antes da visita, isso é
extremamente grave."
O policial que denunciou as atividades de Polícia
Política desenvolvidas no Departamento de Comunicação Social da Polícia civil (DCS)
está em férias e só retorna ao trabalho dia 22. Ele estimou a documentação em 200 mil
fichas, que |
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remetem a aproximadamente 1.500
dossiês de pelo menos 40 mil nomes "fichados". O delegado Expedito Marques,
diretor do departamento, calcalou o número de fichas em 60 mil. Marques disse ter entrado
na sala na sexta-feira, dois dias antes de o DIÁRIO POPULAR publicar reportagem revelando
a existência das fichas, e garantiu ontem que não houve mudança no setor. Até a placa na porta, numa ala do DCS, no 15° andar, onde se
lia "Setor de Análise e Pesquisa - Área Restrita", sumiu. As pastas que
estavam amontoadas ao lado das prateleiras de madeira foram removidas e empilhadas
cuidadosamente em outro canto da sala. A maioria das fichas encontradas pela comissão de
deputados, acompanhada do delegado-geral, Marco Antônio Desgualdo, e do
secretário-adjunto da Segurança
Pública, Mário Papaterra Limongi, fazia referência a artigos e matérias publicadas na
imprensa.
Havia, porém, outras que continham anotações e
relatórios de "arapongas" infiltrados em assembleias de movimentos sociais,
como reuniões de sem-terra e de metalúrgicos. Os delegados tentaram convencer os
deputados "dei que só havia informações de jornais, mas, em uma das pastas-dossiê
foram encontrados documentos que comprovam a atividade dos agentes. Neste material, sobre
uma greve na Lacta, além do relatório, há nomes de líderes do movimento e prontuários
deles, obtidos junto à empresa. Outro, mostra "arapongas" monitorando protestos
de petroleiros de Paulinia, região de Campinas, Delegados do ABC, durante anos, mandaram
informações sobre sindicalistas da região. |
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Fichário
tem dados sobre Chico Buarque e vice-govemador
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O secretárIo-adjunto e os
delegados tentaram convencer os sete deputados que o arquivo é essencial à Polícia e
que as informações são utilizadas para garantir a segurança pública dos cidadãos e
dizem respeito a envolvidos em movimentos sociais. No entanto, o que se viu nos armários
de aço nada tinha a ver com pessoas que representem qualquer risco à sociedade. Ao
contrário, os parlamentares ficaram surpresos ao encontrar a ficha do compositor Chico
Buarque de Holanda e do vice-governador Geraldo Alckmim. Na ficha de Alckmin, por exemplo, está escrito: "Ligado
a Quêrcia". "Essas informações fazem parte de uma cultura e linguagem dos
agentes do período da repressão: é o retrato de um período de atuação da Polícia no
Estado de São Paulo, que não é diferente do que era feito na época do Dops",
analisou o deputado Jilmar Tatto (PT).
Tatto ficou mais indignado ao encontrar as fichas de
seus três irmãos: Leonides, Nilton e do vereador Arselino. "Do Leonides escreveram
que é ligado à comunidade de base da Igreja Católica; do Nilton, que lutou contra
aumento nos tempos da faculdade; e, do Arselino, há trechos escolhidos de discursos
feitos em plenário, da ativi-dade parlamentar", contou.
Tão surpreso quanto Tatto ficou o deputado Carlos
Zaratini (PT). Ele descobriu a ficha da irmã, Mônica, fotógrafa do jornal O Estado de
São Paulo. "É um absurdo, pois há pelo menos oito anos ela não está mais
engajada em movimentos sociais", reclamou. Faziam parte da comissão ainda os
deputados petistas Carlos de Almeida e José Felipi, Sidney Beraldo (PSDB) e Arnaldo
Jardim (PMDB).
Todos consideraram absurda a existência do arquivo,
uma continuação das atividades do Dops. O secretário-adjunto, Mário Papaterra
Limongi,
disse que não havia necessidade de monitoramento individual da ação dos
"fichados". |
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DIÁRIO revelou:
a existência dos documentos
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A denúncia que expôs o arquivo da Policia Civil foi
publicada na edição de domingo, no DIÁRIO POPULAR. A reportagem conseguiu drilblar o
esquema de segurança na área restrita do DCS, que possui portas
com trava elétrica, e viu de perto as fichas a dossiês escondidos sob o nome da
"arquivo morto". Diante do vazamento da existência dos arquivos, a Delegacia
Geral mostrou o processo onde um policial pedia o fim das atividades, o lacre do setor e o
envio do material para o Arquivo do Estado. A reportagem pôde constatai que havia fichas com a
inscrição "Terrorista. Subversivo" e farta documentação guardada em 18
armários de aço e em três prateleiras de madeira, além de bandeiras de partidos e
sindicatos. Os prontuários vão desde o petista Luiz Inácio Lula da Silva até o
presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, passando por deputados, vereadores,
sindicalistas, delegados de Polícia, secretários de Estado e o governador Mário Covas.
A atividade, considerada patrulhamento ideológico, fere
direitos constitucionais do cidadão A papelada corresponde ao período de 1983 (quando o
Dops foí extinto) a 1996, e segue o mésmo estilo do temível a Polícia Política do
regime militar. |
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