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"No Rio, quem estava seqüestrando era a polícia. São Paulo está passando por isso", afirma o delegado. Luz adotou medidas polêmicas, como o uso de
policiais considerados, corruptos, porém eficientes, para elucidar seqüestros. Iniciada na gestão de Luz, a redução dos
seqüestros continuou no Rio: no ano passado foram registrados nove casos.
Folha - O que o sr. encontrou na DAS (Divisão Anti-Sequestros)?
Hélio Luz -
Quem estava seqüestrando era a polícia. São Paulo está passando por isso. Lógico que os
seqüestros de lá têm ligação com a polícia. Como foi aquele negócio do seqüestrador do Silvio Santos? Desde o primeiro momento, o cheiro era de extorsão, "mineira" de policial.
A polícia de São Paulo é tão corrupta quanto a do Rio. As polícias são corruptas porque refletem o Estado brasileiro, que é corrupto. Os meios de controle interno não dão conta da corrupção, porque o Estado é corruptor e as elites se aproveitam disso.
Quando falo em polícia seqüestrando, é Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Polida Rodoviária. A primeira coisa para parar
seqüestro é controle interno da polícia. A outra é distribuição de renda, porque a desigualdade é causa da criminalidade.
Folha - Como foi o combate aos seqüestros no Rio?
Luz -
Um dos maiores problemas que eu tive foi o
empresariado. Empresário faz questão de dar dinheiro para a polícia, de manter a polícia corrupta. Não dêem dinheiro para a polícia, eu dizia. A polícia tem de reivindicar salário.
Outro problema era o dos seguros contra seqüestros. Quando
tem seqüestro, essas empresas de seguros vão negociar o resgate. Acabei com isso, botei todo mundo para fora da DAS, assim como os advogados que negociavam resgate. Todo mundo ganhava dinheiro. Era um
negocião.
Essas empresas cobram de cada empresário por mês, negociam. com vagabundo, ficam com uma parte do resgate e pronto. O meu interesse era não pagar o resgate.
Folha - Como o sr. fez o que chama de controle interno da polícia?
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