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São Paulo, sexta-feira, 09 de agosto de
2002 |
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JANIO DE FREITAS As comemorações pela
obtenção do crédito de US$ 30 bilhões no FMI não deveriam
esquecer alguns aspectos implícitos em mais esse acordo. Então temos o seguinte: para suprir o silêncio do seu candidato quando indagado a respeito, o governo diz que arrecadou com as privatizações US$ 67 bilhões e os destinou à dívida externa; logo, torrou patrimônio nacional por nada, pois em seguida às privatizações já empenhou o Brasil em um socorro de US$ 41 bilhões e agora o faz em mais US$ 30 bilhões. Já em setembro, com a primeira parcela do FMI a dívida será acrescida de US$ 6 bilhões extras. Ou cerca de R$ 18 bilhões. Para dar uma idéia de grandeza, já que na mídia passou-se a falar de bilhões como se fossem centavos, esse montante de endividamento a ser feito em um só mês equivale à construção de um milhão e 700 mil casas populares -se o governo estivesse interessado em gastar com casas populares, e não em juros e outros ganhos para a máfia da especulação internacional e interna. Segundo o comentário de Pedro Malan sobre o novo acordo, não há demérito para o Brasil em mais essa ida ao FMI. Para o Brasil, talvez não. Mas para o seu ministro da Fazenda e para o seu presidente, não se precisa de prova maior do embuste que são suas afirmações sobre êxito, mesmo que o menor deles, da política dita econômica. Ao fim de quase oito anos de controle formalmente ditatorial da política econômico-financeira, estar ainda o Brasil dependente de socorros externos, para não quebrar, merecia ser caso de julgamento. Sem necessidade de mais do que a simples e esmagadora pergunta bíblica: "Que fizeste dos dinheiros que dei?". Quanta riqueza, quanto patrimônio desse povo repleto de pobres e miseráveis, de idosos injustiçados e crianças desprezadas, quanta riqueza dilapidada em nome da grande mentira que é a estabilidade feita só de endividamento e atrofia do país. |