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FUTEBOL
Ex-jogador diz que auditoria em seus negócios está na fase final,
mas recua quanto a devolver dinheiro desviado
Pelé, agora, cogita não ressarcir o Unicef
ROBERTO DIAS
ENVIADO ESPECIAL A TÓQUIO
A auditoria que Pelé providenciou em seus negócios está perto do
final, mas ele ainda não sabe que atitude tomar em relação aos US$
700 mil que a Pelé Sports Inc. recebeu para organizar um evento do
Unicef que não ocorreu.
Em 25 de novembro passado, logo após a Folha divulgar o caso, o
ex-jogador afirmara que devolveria o valor de alguma forma.
Disse à época: "Se usaram o nome do Unicef para ganhar
dinheiro, o justo seria empregar esses US$ 700 mil no Unicef. Todos
sabem da minha preocupação com as crianças. Nem que eu tenha que
fazer isso tirando do meu próprio bolso, eu vou fazer".
Ontem, em Tóquio, onde participou do lançamento de uma campanha
publicitária, Pelé, ao ser questionado sobre o assunto,
desconversou. "Que 700 mil? O evento nem aconteceu."
Em seguida, emendou: "Foi muito mais. US$ 8 milhões". Seria
esse o total desviado das empresas de Pelé, segundo números que lhe
foram passados na semana retrasada pela auditoria. O ex-jogador diz
que Hélio Viana, seu ex-sócio, é quem movimentou o dinheiro.
A Folha então procurou saber se, para Pelé, quem deveria devolver os
US$ 700 mil seria Viana.
O ex-jogador respondeu: "Isso ainda não foi discutido".
A Pelé Sports Inc, firma que tinha o ex-jogador como presidente,
apropriou-se, em 1995, de US$ 700 mil que serviriam para pagar uma
festa do Unicef na Argentina. A quebra do banco Patricios, de onde o
dinheiro havia saído, acabou levando ao cancelamento do evento.
Apesar disso, os US$ 700 mil não foram devolvidos (veja quadro ao
lado).
Pelé disse que a auditoria, iniciada há mais de cinco meses, será
finalizada nesta semana.
Ele chega ao Brasil na segunda-feira. Após reunião com seus
advogados, deverá anunciar o resultado da investigação.
Outro problema entre os dois ex-sócios está no contrato que a ISL,
empresa suíça que faliu no ano passado, tinha assinado com o
Flamengo, sob intermédio da Pelé Sports & Marketing.
O ex-jogador afirma ter recebido carta do gestor da massa falida da
ISL perguntando sobre o paradeiro de US$ 7 milhões que teriam sido
repassados ao clube carioca. Segundo ele, o dinheiro não foi
contabilizado no caixa de sua antiga empresa de marketing.
"Uma pessoa que estava comigo há 18 anos não poderia agir dessa
maneira", disse, em referência a seu ex-sócio.
Viana rebate o que ele diz. Já insinuou que o dinheiro do acordo com
o Unicef teria sido usado por seu ex-sócio para comprar o passe do
meia Giovani para o Santos.
Pelé, que apóia o suíço Joseph Blatter nas eleições deste ano na
Fifa, afirma ainda que não teme sair com a imagem arranhada do episódio.
"Não tenho nenhuma preocupação", afirmou em Tóquio.
"Depois do episódio, já tive três ou quatro propostas",
declarou.
O jornalista Roberto Dias viajou a convite da Pfizer
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