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AVIAÇÃO
Medida acata pedido da GE
Justiça de SP decreta a falência da Transbrasil
LÁSZLÓ VARGA
DA REPORTAGEM LOCAL
A 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo
decretou ontem a falência da Transbrasil, companhia que não efetuava
nenhum vôo desde o dia 3 de dezembro do ano passado. A falência foi
decretada a pedido da General Electric Capital Corporation, que afirma
não ter recebido o pagamento de uma dívida de US$ 2,6 milhões,
referente a aluguéis de aviões e turbinas.
A decisão da Justiça paulista vai deflagrar uma forte disputa pelo
espólio da companhia. Os trabalhadores da Transbrasil, o Ministério
da Fazenda e a Previdência Social já tinham decisões judiciais ou
do Ministério Público determinando o arresto de bens da Transbrasil
e de seu presidente, Antonio Celso Cipriani. "Agora vai haver uma
briga entre os credores para ver quem consegue recuperar seus créditos",
afirmou à Folha Solano de Camargo, advogado do escritório Manhães
Moreira, que representa a GE.
A Transbrasil tem uma dívida de cerca de R$ 900 milhões e um patrimônio
estimado em R$ 120 milhões. Cipriani e sua família possuem bens
pessoais nos Estados Unidos, como um resort de esqui no Colorado, e
uma mansão na Itália. "A GE tem advogados trabalhando no
exterior para conseguir o arresto de bens de Cipriani no
exterior", disse Camargo.
Disputa pelos bens
A legislação sobre falência determina que os trabalhadores têm
prioridade no processo de recuperação do seu dinheiro. Segundo a
assessoria da Transbrasil, a dívida com os trabalhadores é de cerca
de R$ 25 milhões. Um dos três Boeing 767-200 de propriedade da
empresa, que estão sem turbinas, foi arrestado por determinação do
Ministério Público para o pagamento dessa dívida. A aeronave está
avaliada em cerca de R$ 30 milhões.
O INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) conseguiu por sua vez uma
decisão favorável na 19ª Vara Federal de Brasília, determinando
que nenhum bem da Transbrasil ou de seus sócios-controladores possa
ser vendido até que sejam pagos R$ 220 milhões, referentes a dívidas
com a Previdência Social.
Por fim, o Ministério da Fazenda tem a receber R$ 65 milhões da
Transbrasil, referentes a impostos atrasados, e também possui decisão
judicial que embarga a venda de bens da empresa e de Cipriani.
Recurso judicial
A falência da Transbrasil foi determinada pelos votos dos
desembargadores Marcos César e Antônio Vilenilson. O terceiro
desembargador da 9ª Câmara, Ruiter Oliva, não votou a favor da petição
da GE. O que deu direito à Transbrasil de recorrer da decisão no próprio
Tribunal de Justiça.
"Vamos recorrer, com certeza", disse João Piza, sócio do
escritório Piza Advogados Associados, representante da Transbrasil.
Ele afirma que a companhia aérea pagou as dívidas cobradas pela GE.
A Transbrasil tem 15 dias para recorrer do decreto de falência. Caso
perca em novo julgamento no Tribunal, poderá recorrer ao STJ
(Superior Tribunal de Justiça).
Enquanto tenta reverter a falência da Transbrasil, seu presidente,
Antonio Celso Cipriani, procura ainda abrir mão dos cerca de 75% que
ele e seus familiares detêm das ações da companhia. Ele pretende
doar os papéis para a Fundação Transbrasil. O caso está na 7ª
Vara da Família de São Paulo, que não decidiu sobre o assunto.
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