| GABRIELA CARELLI E MARIO
SIMAS FILHO |
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Conteúdo parcial das gravações
- O perito Nelson
Massini, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, também acompanhou a elaboração da análise. "O trabalho realizado na perícia é o mais indicado. Pelo que pude acompanhar, fica absolutamente claro que a fita foi gravada em ambiente aberto e que os diálogos transcorreram de forma natural. São conversas informais gravadas no início de março em dois momentos diferentes", afirma o perito. Para evitar que os diálogos revelados pelas gravações fossem efetivamente investigados, além de questionar a autenticidade das fitas, houve, no governo, quem tentasse desqualificar seu conteúdo por ter informações fornecidas por um juiz foragido da Justiça e acusado de desviar R$ 169 milhões das obras do fórum trabalhista de São Paulo. O problema é que os fatos contados por Lalau não são fruto de imaginação nem de uma armação. Isso ficou muito claro na úl tima semana.
"Sei que senador Romeu Tuma (PFL-SP) e Nicolau foram amigos", disse o atual presidente do TRT paulista, Floriano Vaz da Silva, durante depoimento prestado à CPI do Judiciário, em 3 de maio do ano passado. Na gravação revelada por ISTOÉ, Lalau define o senador como "um amigo", "um aliado".
Para indicar ao interlocutor o grau dessa amizade, o juiz admite ter nomeado 16 pessoas a pedido do senador e outras dez a pedido do deputado Robson Tuma (PFL-SP), filho do senador. Não era novidade para ninguém que o ex-juiz classista |
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Antônio Dirane fora nomeado por Lalau. Coincidência ou
não, Dirane é irmão de Zilda Tuma, esposa do senador. Também na sede da Polícia Federal,
onde a influência de Romeu Tuma ainda é marcante, poucos se surpreenderam com as revelações do juiz. Até a segunda-feira 17, apenas dois agentes estavam efetivamente empenhados em capturar Lalau. Só na última semana, após a amizade de Tuma e Nicolau tornar-se pública é que as buscas se intensificaram.
BOM negócio -
As revelações do juiz em relação ao deputado Tuminha também se confirmaram na última semana. A compra de uma mansão num bairro nobre de Brasília mostra como o deputado da CPI do Narcotráfico engorda seu património, utilizando-se do seu sobrenome. A casa, construída em um terreno de 20 mil melros quadrados, custou oficialmente R$ 700 mil, pagos em dinheiro. Na verdade, a operação de compra esconde uma história mais complicada. O antigo proprietário, Ricardo Amaro Gonçalves, é filho de Joel Amaro Gonçalves, um empresário que respondia a alguns inquéritos na Receita e na Polícia Federal por fraudar certidões negativas do INSS para habilitar empresas a participar de concorrências públicas.
Esses casos acabaram arquivados por influência de Tuma pai. Em Brasília, corretores de imóveis asseguram que a casa custou para Tuminha um valor bem inferior aos R$ 700 mil declarados. Hoje, 13 meses depois de passar a escritura, o deputado colocou a casa à venda por R$ 1,8 milhão. |
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