Folha de São Paulo, 28 de Março de 2001

Fiel Transcrição

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Os Lalaus ocultos
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CLÓVIS ROSSI

SÃO PAULO - Stefan Bogdan Salej, o presidente da FIEMG (Federação das Industrias de Minas Gerais), suspeita de que o governo está subestimando o grau de revolta do "chão de fábrica" com a proposta do governo para resolvera "esqueleto" do FGTS.

"Chão de fábrica" junta pequenos e médios empresários aos seus trabalhadores, uns e outros chamados a participar no pagamento do rombo do FGTS pelo qual não têm a menor responsabilidade.

"Tenho dito aos trabalhadores que, desta vez, não somos os malvados de plantão", diz Sale) (na verdade, ele não usou a palavra "malvados", mas, nesta página, é a tradução possível).

A FIEMG e outras entidades empresariais acenam até com a possibilidade de recorrer à Justiça para evitar que patrões e empregados arquem com o ônus claramente contido na proposta do governo.

Já escrevi, neste mesmo espaço, sobre a proposta do 

governo, equipa-rando-a ao calote na dívida externa que os economistas supostamente de bom tom se recusam sequer a discutir. Não que eu defenda o calote, mas, se é para ser contra, então é para ser contra todos os calotes, inclusive esse do FGTS.

Mas Salej manda também lembranças, nada amigáveis, como é óbvio, para quem gerou o problema lá atrás, ou seja, para os governos José Sarney e Fernando Collor de Mello.

Suas respectivas equipes econômicas estão presas? Ou gozam tranquilamente a vida, mesmo tendo deixado para os sucessores um rombo na imponente altura dos R$ 42 bilhões?

Ainda que não sejam presos, não deveriam merecer uma sanção moral, em vez de continuarem por aí ensinando como devem se comportar pessoas, empresas e o governo?

Se a gente fizer bem as contas, vai verificar que o rombo deixado pelo juiz Lalau é insignificante perto do que fizeram os autores dos Planos Verão (governo Sarney) e Collor.