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Folha de São Paulo, 28 de julho de 2000
GOVERNO
Por meio de carta, presidenciável do PPS lista sete casos em que, na opinião do signatário, houve omissão de FHC
Ciro volta a chamar presidente de omisso
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Porta-voz de FHC
critica "reação tão descabida"
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O porta-voz da Presidência, Georges Lamazière, leu nota dizendo que "causou estranheza ao presidente a reação do presidenciável Ciro Gomes". Segundo Lamazière, "não caberia da parte de Ciro Gomes nenhuma defesa de seu passado, por isso, FHC não vê razão para reação tão descabida". |
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JOSIAS DE SOUZA
DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidenciável Ciro Gomes (PPS) subiu ontem o tom de suas críticas a Fernando Henrique Cardoso. Em carta aberta que dirigiu ao presidente, voltou a chamá-lo de omisso no combate a irregularidades, apontou "o aparente mar de lama que domina o noticiário sobre o seu governo" e se disse entristecido por ver "o primeiro magistrado da nação" à mercê de "pressões e chantagens fisiológicas da escória política".
Ciro enxerga uma "Justa e compreensível indignação popular" com relação ao governo e ao próprio presidente. Uma indignação que, a seu ver, "se generaliza e exaspera no seio da nação".
Alega que só não apoiou a abertura de uma CPI para "não reforçar, por agora, uma iniciativa da oposição, a cuja federação pertencemos". He acrescenta: "Sabe muito bem o senhor que esta iniciativa tem o objetivo não confessado de envolvê-lo (...)"
A carta de Ciro consumiu três páginas. O texto lista sete casos em que, na opinião do signatário, houve omissão de FHC. A relação inclui da compra de votos em favor da reeleição ao caso
EJ, que Ciro classifica de "explosivo".
A manifestação do candidato do PPS dá sequência a um bate-boca iniciado por ele próprio na última terça-feira. Em visita a
Piracicaba, Ciro dissera à Folha que "Fernando Henrique não rouba, mas deixa roubar". Referia-se ao noticiário que semeou suspeitas à volta de Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência.
Abespinhado, FHC contra-atacou. Tachou de "hipócritas" e "levianas" as declarações de Ciro. Anteontem, falando pela boca de seu porta-voz, Georges Lamazière, o presidente se disse "indignado". E comparou sua indignação à do próprio agressor, "quando havia rumores sobre a situação do Canal do Trabalhador", uma obra feita por Ciro, à época em que governou o Ceará.
Ele completou: "Cabe menos ainda, ao ressalvar a honradez pessoal do presidente, a voltar a utilizar insinuações malévolas contra programas, como o
Proer, que fortaleceu o sistema financeiro nacional, ou contra ações que não ocorreram, como no caso do Denatran —que não fez contrato algum por
ntermédio dos assessores da
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Presidência. As demais insinuações são tão inverídicas e
inconsistentes quanto as duas acima exemplificadas".
Ao concluir a leitura do texto acima, o porta-voz deixou imediatamente a sala de entrevistas.
A obra com que FHC buscou atingir Ciro contou com recursos do governo federal. E teve a prestação de contas analisada e aprovada em 95 pela pasta do Planejamento, chefiada na ocasião pelo tucano José Serra.
No terço final de sua carta, Ciro pede a FHC, "em nome da dignidade pessoal" de ambos, que mande reabrir a prestação de contas, para confirmar sua regularidade ou, se for o caso, levantar dúvidas que remanesçam.
"É a um adversário que estou pedindo esta providência. O senhor não tem direito de fugir a ela", instiga Ciro. "Serei eventual
mente candidato a presidente da República. E o chefe da nação não pode temer qualquer investigação, ainda que injusta e oportunista", anota ainda o candidato. "E sobre a honorabilidade de um chefe de Estado não pode pairar qualquer dúvida."
FHC se omitiu, na opinião de Ciro, nos seguintes episódios:
1) Compra de votos em favor da emenda da reeleição;
2) Processo de privatização da Telebrás, "que desaguou", escreve Ciro, "no escandaloso episódio das fitas gravadas, algumas delas envolvendo diálogos com o senhor mesmo, a meu juízo, impertinentes a um chefe de Estado";
3) O Proer, assim definido por Ciro: "controverso programa de socorro a bancos privados envolvidos em fraudes monstruosas";
4) "O rumoroso caso dos bancos Marka e FonteCindam (...) em que o senhor, em sua própria defesa, alega simplesmente que não sabia de nada";
5) As "sucessivas" liberações de verbas do orçamento às vésperas de votações no Congresso;
6) "O atual e explosivo caso Eduardo Jorge";
7) "As fraudes sucessivas e repetidas na manipulação do Fundef (Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental). Os desvios são praticados, afirma Ciro, "por políticos inescrupulosos", em sua maioria da base de sustentação do governo.
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Frases:
| "Eu
sempre defendi que a missão de um político sério é não roubar e não
deixar roubar. Aproveitando a metodologia: eu acho que o Fernando Henrique
não rouba, mas deixa roubar." |
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Ciro
Gomes, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PPS à
previdência da República, sobre o caso EJ, ontem na Folha.
Folha
de São Paulo, 27/07/2000 |
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Erros
da justiça ou...
Revista ISTOÉ, 1609, semana 02 de Agosto de 2000
CACCIOLA: FUGA INESPERADA? OU...
| JOÃO TAREV VIDAL RE SOUSA
Oklahoma - EUA
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| Chama a atenção o fato de o presidente interino do STF, Marco Aurélio Mello, ter concedido um habeas-corpus para o ex-banqueiro e atual foragido da Justiça Salvatore Cacciola. O estranho é que cinco dias depois o presidente do STF, ministro Carlos
Velloso, aceitou o argumento do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, de que a liminar não poderia ter sido concedida pelo STF. É curioso que um ministro do STF, com suposto profundo conhecimento jurídico, tenha concedido erroneamente um habeas-corpus para um indivíduo que insultou a Nação ao gatunar a absurda quantia de R$ 1,5 bilhão. É muito estranho o comportamento desse senhor Marco Aurélio Mello, não é? "Na lista dos procurados" (ISTOÉ 1608).
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