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O
Estado de São Paulo, Domingo, 28 de outubro de 2001
Transcrições
parciais:
Gloria Trevi, quem diria, acabou na Papuda
DNA pode mudar o rumo de Gloria Trevi
Gloria
Trevi diz que foi estuprada; Câmara criará CPI
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Papuda,
apesar do nome evocador de criaturas de um novo Sítio do Picapau Amarelo,
é a penitenciária do Distrito Federal. Lá, a ex-clone de Chispita, Gloria
de los Angeles Treviño Ruiz, de 28 anos, passa seus dias como uma heroína
de novela vendo o sol quadrado, enquanto sua barriga cresce no quinto mês
de uma gravidez.
Ela
engravidou há sete meses na carceragem da superintendência da PF em Brasília,
num episódio ainda não esclarecido. Hoje, o Supremo Tribunal Federal (STF)
conclui a votação para decidir se a cantora poderá ficar em prisão
domiciliar, conforme pedido dos advogados. |
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A partir do
depoimento, o caso Gloria Trevi, que estava restrito a jurisdição
judicial, passou também para a esfera legislativa. Deputados de oito
partidos, incluindo a base aliada do governo, e integrantes das comissões
de Direitos Humanos, Relações Exteriores e Constituição e Justiça
da Câmara se reuniram emergencialmente, concluindo pela abertura de uma
CPI para investigar o sistema prisional, tomando por base o episódio da
cantora.
Depoimento
Os
deputados chegaram por volta das 10 horas à Papuda, onde Gloria já os
esperavam cercada de policiais. Estava calma, mas com uma aparência
cansada, já que no dia anterior foi submetida à última etapa do exame
pré-natal. Inicialmente ela respondia de forma monossilábica às
perguntas feitas por Greenhalgh, escolhido para interrogá-la pelo fato
de também ser advogado.
"A senhora era sempre retirada da cela
pela mesma
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pessoa?", perguntou o deputado. "Sim",
respondeu Glória, revelando, pela primeira vez, que manteve relações
com um único homem na PF.
"Alguns
tentaram, mas só foi com essa pessoa", disse a cantora. "Não
gritei, não reagi, mas deixava claro que não queria aquilo",
acrescentou, ao responder se as relações foram consensuais. No
depoimento, Gloria foi mais adiante e contou que era levada para a sala
da administração da superintendência, onde mantinha relações
seguidas com o culpado. A partir deste momento, a cantora, que estava
serena, começou a chorar.
Gloria
também rechaçou a versão da sindicância da PF concluindo que a
gravidez fora resultado de inseminação artificial feita com um tubo de
caneta, e que o sêmen utilizado teria sido do assaltante Marcelo
Borelli e do empresário da cantora, Sérgio Andrade, também preso na
Papuda.
"O
ESTADO" Edson
Luiz
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Folha de São Paulo, 29 de novembro de 2001
Fiel transcrição:
VIOLÊNCIA
Cantora diz que foi estuprada várias vezes por um mesmo policial
Gloria Trevi acusa 'autoridade' da PF
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na foto para ampliar |
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DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A cantora mexicana Gloria Trevi, 30, afirmou ontem, em conversa com deputados federais, que havia sido estuprada em uma sala da administração da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por uma "autoridade da PF". Ela não quis revelar o nome por temer represálias.
Gloria foi ouvida ontem pela manhã no presídio da Papuda, onde está presa atualmente, por um grupo de deputados das Comissões de Constituição e Justiça e de Direitos Humanos.
Segundo o relato dos deputados, Gloria, bastante emocionada e chorando, disse que
foi estuprada apenas por um homem, mas várias vezes. Ela era retirada da cela e
levada até numa sala onde ocorria a violência sexual.
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Gloria teria dito que não reagia ou gritava por entender que isso não resolveria o problema. Para os deputados, com o relato dela foi descartada a hipótese de estupro por parte de algum preso.
O principal suspeito do estupro passa a ser um delegado da PF, que por decisão judicial, não pode ter seu nome divulgado.
A
assessoria da PF informou que já há um inquérito instaurado para investigar a suspeita de estupro.
Durante a visita dos deputados, que durou quase duas horas, Gloria disse que sofre perseguição política no México. Acusada em seu país por corrupção de menores, a cantora afirmou que os crimes pelos quais é acusada em seu país foram uma armação.
A Comissão de Constituição e Justiça pretende criar a CPI do sistema prisional, que terá como ponto de partida o caso de Gloria Trevi. Para o presidente da comissão, deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB),
nas prisões brasileiras devem existir muitos casos semelhantes ao de Gloria, de abusos sexuais contra presos.
O pedido para a instalação da CPI será feito por meio de projeto de resolução, pois dessa forma não terá que esperar a instalação
de outras comissões. A CCJ também convidará o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, e o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, para prestar esclarecimentos
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sobre o caso.
Os deputados Fernando Gabeira (PT-RJ) e Luiz Eduardo
Greenhalgh (PT-SP) pretendem ir ao México. Para Gabeira, o caso não é só uma questão de justiça, mas também de imagem do Brasil, que foi prejudicada.
Justiça
O STF (Supremo Tribunal Federal) negou ontem, por 8 votos contra 3, o pedido de prisão domiciliar da cantora, grávida de sete meses. O advogado Otávio Neves, um dos que a representam, anunciou que entrará imediata
mente com um novo hábeas corpus, desta vez em favor do feto. Ele disse que insistirá no argumento de que a penitenciária não oferece condições que garantam
tranqüilidade no fim da gestação.
Em dezembro de 2000, o STF autorizou a extradição da cantora, de seu empresário, Sérgio Andrade, e da secretária Maria
Portillo, a pedido do governo do México. Os três são acusados de corrupção e rapto de menores em seu país. Foram presos em janeiro de 2000 no Rio. Contra eles há dois mandados de prisão no México.
A extradição ainda não ocorreu porque eles pediram refúgio ao governo brasileiro e querem a prisão domiciliar enquanto aguardam essa decisão. O principal argumento é a gravidez da cantora.
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