Revista ÉPOCA, 15 de maio de 2000

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DIREITOS HUMANOS

Arquivos da repressão

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VOZ DA CASERNA

O general Alberto Cardoso promete colaborar. "Se isso favorecer a democracia, vamos investigar até o fim", diz

Governo investiga a Operação Condor, acordo de colaboração entre ditaduras do Cone Sul nos anos 70
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MARCEU VIEIRA, DO RIO

Um nebuloso capítulo da ditadura militar (1964-1985) será finalmente investigado. A Operação Condor, acordo secreto de cooperação entre militares dos países do Cone Sul, será rastreada nos arquivos militares brasileiros. Pelo tratado, os regimes de exceção do Brasil, da Argentina, do Chile, do Uruguai e do Paraguai teriam trocado favores para a captura de seus opositores refugiados no Exterior na década de 70 e no início dos anos 80. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, acatou o pedido de investigação da operação

feito pelo advogado-geral da União, Gilmar Mendes.

O rastilho foi aceso em Buenos Aires. No fim de abril, o juiz argentino Cláudio Bonadio solicitou ao governo brasileiro dados sobre o desaparecimento de Horacio Campiglia, Monica de Binstock e Lorenzo Virias, presos em 1980. "Pedi mais informações sobre o caso. Nunca tinha ouvido falar nisso", diz o general Cardoso. O coronel Ariel de Cunto, diretor da Agência Brasileira de Inteligência, promete abrir os arquivos da repressão política. "Acredito no envolvimento dos serviços de inteligência, mas não do Exército", afirma.

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Revista ISTOÉ, 1599, semana de 24 de maio de 2000

Parcial transcrição:

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BRASIL: HISTÓRIA

CERCO AO CONDOR
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Carta enviada a Figueiredo por coronel chileno mostra a intenção de perseguir líderes de oposição
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ATENÇÃO: Clique na foto e veja o que publica a Revista SUR
Responsável pelo terror paraguaio, PASTOR CORONEL (hoje cumprindo pena por torturas), envia carta de missão especial com elogios e agradecimentos ao ex-responsável pelo DOPS, durante a repressão, ROMEU TUMA!!!

PRESENTE: Tuma é elogiado pelo aliado de Stroessner! (Vide a seguir)

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(Emblema da República do Paraguai)

POLICIA DE LA CAPITAL

Depto de Investigaciones

Asuncion - Paraguai

Asuncion, 27 de abril de 1981

Señor Dr. ROMEU TUMA

Delegado General Del D.O.P.S.

Sao Paulo - BRASIL

 

Distinguido Señor:

 

          Tengo el alto honor de dirigirme al Señor Delegado General com objeto de agradecer la amable atención que dispensara al Comiserio LUIS MENDEZ LARA, en oportunidad de su viaje a esa ciudad para el cumprimiento de una misión ancondádele por esta Jofatura.

          Por ello, apelando a su buena voluntad, ruécola nuevamente se sirva prestar au inestimable colaboración al Comiserio MENDEZ LARA, quien viaja en cumplimiento de una misión confidencial, que personalmente le expondrá.

          Asimismo, ruégole se sirva aceptar con las protestas il mi sincera amisted, al presente del cual es portador al funcionario destacado, que no es oltra cosa que una pequeña prueba de la solidaridad y el respeto que une a nuestros servicios dedicados a guardar el orden y la seguridad.

          Al reiterarle una vez más sinceros agradecimientos per la colaboración prestada, aprovecho la oportunidad para saludarlo con mi mayor consideración y alta estima personal.

 

PASTOR M. CORONEL

 

Jefa Depto. Investigaciones

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DELMAR MARQUES - Assunção 

E FLORÊNCIA COSTA

As investigações sobre a Operação Condor poderão explicar muitas mortes e desaparecimentos de opositores das ditaduras militares do Cone Sul e até de lideranças políticas expressivas, que permanecem misteriosas, como a do ex-presidente Juscelino Kubitschek, morto num suspeito acidente de carro, na Via Dutra, em 1976. Descoberto em 1992 pelo advogado e educador Martín Almada, o chamado Arquivo do Terror, quatro toneladas de documentos guardados pela polícia política do Paraguai durante a ditadura de Alfredo Stroessner, guarda, no 8° andar do Palácio da Justiça, no centro de Assunção, indícios da intenção de perseguir e eliminar os opositores das ditaduras e provas da própria existência da colaboração entre os governos do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai. Um desses documentos é uma carta enviada, no dia 28 de agosto de 1975, pelo então chefe do serviço secreto chileno, coronel Manuel Contreras, para o general de divisão João Baptista Figueiredo, então chefe do Serviço Nacional de Informações. Trata-se de uma resposta do coronel chileno a uma carta de Figueiredo, enviada uma semana antes, na qual o brasileiro havia manifestado sua preocupação com a possibilidade de vitória dos democratas nas eleições americanas e com o consequente apoio que políticos oposicionistas como JK e o ex-ministro do Exterior do socialista Salvador Allende, Orlando Letelier, receberiam do governo americano, caso Jimmy Cárter vencesse, como aconteceu, as eleições de 1976. Na carta, Contreras adverte que esse apoio "poderia influenciar seriamente a estabilidade do Cone Sul" e dá total apoio a um plano sugerido pelo brasileiro para que os dois serviços secretos coordenassem suas "ações contra certas autoridades eclesiásticas e conhecidos políticos social-democratas e democratas-cristãos da América Latina e da Europa". No ano seguinte, os dois políticos acabariam morrendo. No caso de Letelier ficou provado que o atentado que o matou, em 21 de setembro de 1976, em Washington, foi organizado pelo serviço secreto encabeçado por Contreras, a temida Dina. Já a morte de JK, um mês antes da de Letelier, segundo versão oficial, se deveu a um acidente de carro. O ex-presidente tentava articular a re-democratização do Brasil.

Outras mortes de políticos ainda são tidas como suspeitas: a do ex-presidente João Goulart, em 1976, e a do ex-governador Carlos Lacerda, em 1977. Do Arquivo do Terror, constam outros documentos instigantes, como um ofício do responsável pela repressão no Paraguai, Pastor Coronel, hoje cumprindo pena por torturas, ao então delegado geral do Dops de São Paulo, Romeu Tuma, apresentando um agente paraguaio com missão confidencial na capital paulista. O comissário Roque Luis Mendez Lara levava, inclusive, um presente para Tuma. "Uma pequena prova da solidariedade e respeito que une nossos serviços dedicados a guardar a ordem e a segurança", diz o documento (acima exposto). Constam também centenas de fichas de brasileiros suspeitos de subversão. No informe confidencial 484, de 5 de agosto de 1969, Pastor Coronel estende ao território paraguaio a caçada ao capitão Carlos Lamarca e a outros militantes brasileiros.

JANGO. 24 ANOS DE MISTÉRIO

Pela primeira vez, a morte do ex-presidente João Goulart será apurada pelo governo. As suspeitas de que ele teria sido assassinado foram reforçadas mais ainda com as investigações sobre a Operação Condor. O líder do PDT na Câmara dos Deputados, Miro Teixeira, pediu ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, que o assunto fosse averiguado. O general, segundo o Jornal do Brasil, afirmou ao deputado pedetista que o governo vai se empenhar para descobrir se Jango foi vítima da Operação Condor. O ex-presidente morreu no dia 6 de dezembro de 1976. Até hoje, a versão oficial era de que ele havia morrido de ataque cardíaco, mas o atestado de óbito, assinado por Teresa de Sandoval, delegada do Registro Provincial de Ias Personas, na cidade de Mercedes, província de Comentes, na Argentina, publicado pelo JB, é genérico.

Nele consta que a causa da morte foi uma "efermedad" (doença). A família de Jango afirma que não se oporia à exumação de seu corpo, enterrado em São Borja (RS), para que seja feita uma autópsia. A principal suspeita é de que o ex-presidente teria sido envenenado. Em entrevista ao JB, a viúva Maria Thereza Goulart contou que Jango recebia ameaças. "Várias vezes Jango falou comigo sobre organizações políticas que agiam contra os exilados. Quando mataram o ex-presidente boliviano Torres, ele ficou seriamente preocupado. Havia uma organização descoberta em Mar del Plata que tinha planos para matar Jango e seqüestrar nossos filhos", afirmou Maria Thereza na entrevista.

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SERÁ QUE A JUSTIÇA DIVINA FARÁ, QUE ALGUÉM ESCLAREÇA AS HISTÓRIAS OCULTAS?

POIS, ELE ESTÁ ENTRE NOS!  

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AS PROEZAS DO SENADOR ROMEU TUMA:

Revista ÉPOCA, 27 de novembro de 2000

QUAIS SÃO OS RESPONSÁVEIS PELAS TORTURAS?

(Vide último quadro, no dialogo: Fleury/Leonora)

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Ver a seguir: Referências

QUAL O SINÔNIMO DE TORTURA?

Da esquerda para direita:

Delegado, Sérgio Paranhos Fleury. (o Al Capone brasileiro! O Delegado da Morte).

Agente, Henrique Perrone. (o tira de confiança).

Delegado, Romeu Tuma (ex-chefe do Serviço Secreto do DOPS, ligado ao SNI).

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Acima

A dupla de ouro do Dops

Fleury (à esq.) e Tuma (à dir.) escalaram os degraus da carreira policial juntos. Tuma era o responsável pela área de informações no Dops, enquanto Fleury saía a campo.

Cabeças arrancadas, dedos arrancados ou simplesmente corpos marcados pela sevícia (...), o capítulo final requeria extremos cuidados. Para executar esse trabalho, foi escolhido criteriosamente um homem - Little Pig, ou simplesmente Porquinho (...) A escolha se fez depois de cautelosa consulta do II Exército ao delegado Romeu Tuma, do Serviço Secreto do Dops. (...) Assim Alcides Cintra Filho foi erigido à condição de coveiro oficial (...). Clique aqui inédito!

 

A direita: Um arquivo fotográfico inédito sobre a guerrilha do Araguaia é descoberto. Entre as 43 fotos, esta retrata o momento da prisão.

Revista Época, 27/11/2000 

Foto: Reprodução Ag. Globo

Algemado e torturado, o hoje deputado, José Genoino

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DESTAQUE ESPECIAL: Referendo-se as torturas praticadas na época da repreensão, o jurista Goffredo da Silva Telles,  declarou que: "Romeu Tuma assinava documentos comprometedores. Os papeis avalizariam versões policiais de que presos mortos sob tortura haviam de suicidado". Os parentes das vítimas também acusavam Tuma de proteger torturadores. 

Silva Telles considerou, então, que o ex-delegado praticou omissão contra a ética e a moral.

Jurista Goffredo da Silva Telles - Folha de São Paulo, 01/10/2000

 

O COVEIRO: Delegado, Alcides Cintra Bueno Filho o "Porquinho": (Coveiro oficial e  "ocultador" de cadáveres produzidos pelo DOPS e do DOI-Code. Escolhido para a função por indicação do hoje senador ROMEU TUMA).

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1990: Uma das 1.049 ossadas localizadas no cemitério do bairro Perus além de inúmeras outras, sem identificação, classificadas como restos mortais de desaparecidos políticos e vítimas do Esquadrão da Morte, dentro de uma vala clandestina.

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Referências:

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"Autópsia do medo": Livro do Jornalista Percival de Souza

"Revista Época" de 27 de Novembro de 2000.

"Brasil Nunca Mais" Prefácio de D. Paulo Evaristo. Cardeal Arns.

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Destaque da entrevista do Jornal da Tarde com o jornalista Percival de Souza em 27 de novembro de 2000.

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(...) E a tortura, meu bem? Conte, Ronc-Ronc. (Era assim que Leonora, amante de  Fleury, o chamava na intimidade por causa do hábito de roncar).

Tortura? As ordens eram para arrancar a verdade, desse no que desse, custasse o que custasse. Eu recebo ordem, eu passo ordem. Todos delegados do DOPS sabiam muito bem que era este o procedimento. (...) A guerra é assim, minha flor.

Ronc-Ronc, era você mesmo o chefe do esquadrão da morte?

Qual dos chefes? Disseram que há vários esquadrões por ai... Em tudo o que fiz, recebi ordens. Vinham lá de cima. Você acha que o Governo não poderia, se quisesse, acabar com o esquadrão da morte"?

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De quem será que Fleury recebia estas ordens?

A RESPOSTA: Clique (aqui)

Mais esclarecimentos importantes

A seguir: Xerife, piratas e fantasmas