Revista Veja, 20 de dezembro de 2000

Parcial transcrição.

Texto: Rodrigo Vergara

ELES CAVARAM UM ROMBO BILIONÁRIO

Entre os donos das maiores dívidas com a Previdência, há notórios caloteiros, falidos que não honrarão seu compromisso e empresários que estão tentando acertar suas contas com o governo.

Texto: Lauro Jardim

Os estranhos vôos da Vasp na Justiça

A enrolada Vasp só consegue tirar certidões negativas de débito com a Previdência Social por meio de liminares concedidas pela Justiça. Até aí, tudo bem, afinal, com a Vasp as coisas nunca estão sob um céu de brigadeiro. Tudo certo, não fosse um detalhe: por que será que, tendo sua sede em São Paulo, a Vasp só entra na Justiça do Rio de Janeiro com os tais pedidos de liminares? g Talvez Wagner Canhedo não tenha mui- to tempo para responder. Está encrencadíssimo também na Bolívia. Parlamentares e funcionários da LIoyd Aéreo Boliviano (LAB), que é 50% dele, estão pedindo intervenção na companhia.

Wagner Canhedo: enrolado no Brasil e na Bolívia. Foto:Monica Zarattini/Ag. Estado

.Texto: Rodrigo Vergara

Advogado Oliveira Neves cujo escritório tem 10 andares

Foto: Cláudio Rossi

Ele ensina em cinco lições como não pagar!

O advogado Newton de Oliveira Neves fez fortuna ensinando empresários a fugir das garras do Fisco. Alguns de seus preceitos:

1. Toda dívida fiscal pode -e deve ser- contestada na Justiça

2. Nenhuma empresa pode ter imóvel em seu nome

3. O empresário deve procurar brechas legais para não aparecer como proprietário de uma empresa

4. Companhias endividadas devem transferir o património para outras empresas antes que os bens sejam requisitados pelos credores

5. Empresários quebrados devem abrir firma em paraísos fiscais para usufruir, sem risco, o património da empresa quebrada

Texto: Ana d'Angelo, de Brasília

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Wagner Canhedo dono da VASP Empresa de ónibus e aviação, 690 milhões

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Empreiteiro Murilo Mendes, Construção civil e siderurgia, 417 milhões.

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Cecílio do Rego Almeida: Construção civil e química,  367 milhões

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Pedro Paulo de Souza, da Encol, Construção civil,  462 milhões

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Empresário Nelson Tanure, do estaleiro Verolme,  244 milhões

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Luís Eulálio de Bueno Vidical. da Cobrasma. Material ferroviário,  204 milhões.

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.Montagem sobre fotos de Regis Filho/Orlando Brito/Bia Parreiras/Paulo jares/Marcelo Soubhia/Folha Imagem

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MAIS ALGUNS PARA COMPLETAR A COLEÇÃO:

Grupo Ruas Empresa de Onibus,  367 milhões

Golden Cross1, Seguro-Saúde e educação,  241 milhões.

Grupo Baltazar, José de Souza Em- presa de ónibus,  152 milhões

Matarazzo, Diversos,  182 milhões.

Arki3, Vigilância,  80   milhões.

Eberle Mundial Fabricante de Talheres,  280 milhões

Gazeta Mercantil, Comunicação 181 milhões.

Bancesa2, financeiro, 321 milhões.

CAC, Agropecuária, 129 milhões.

Alvorada1 Vigilância, 66 milhões

Usina Santa Rita, Usina de álcool e açúcar,  253 milhões

Protege, Segurança, 156 milhões.

Bloch, Comunicação, 222 milhões.

Seg3, Vigilância, 110    milhões.

(1) Empresa admite 60% da divida

(2) Empresa admite 46% da divida

(3) Proprietários não forma localizados.

Texto: .Rodrigo Vergara

O CAOS BILIONÁRIO:

O total acumulado das dívidas referentes à inadimplência e à sonegação, segundo os dados mais recentes, chega a 109 bilhões de reais, mais de cinco vezes o valor do patrimônio da Pedrobras.

Os endividados são de 900 grupos. É uma relação oficial produzida pelos computadores do governo com as 900 maiores dívidas com a Previdência. O menor débito é de 13 milhões de reais, o maior de um bilhão.

Parece piada, mas é verdade: Brasília deve para Brasília!!!

No total, o poder público deve impressionantes 7,8 bilhões de reais ao INSS. Isso dá 1 de cada 4 reais devidos pelo grupo dos 900 maiores. O destaque da lista dos super-900 é a Caixa Econômica Federal, acusada de dever um bilhão de reais referentes a impostos não recolhidos sobre adicionais e bonificações salariais.

A seguir: Parlamentares na jogada