Jornal AGORA, 24 de agosto de 2000

Fiel Transcrição:
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DA ELEIÇÃO:

Especialistas acham que projeto de Tuma para saúde é mágico

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A opinião é de José Aristodemo Pinotti, ex-secretário de saúde do governo Regis. Membros do Conselho Municipal de Saúde e do Sindicato dos Médicos também criticaram.
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Os especialistas dizem que a proposta de Romeu Tuma para a saúde é ilusória, criada só para a campanha e que vai manter a estrutura do PAS.

No horário político do rádio e TV, Tuma promete implantar o Programa de Saúde São Paulo. No seu discurso, ele passa a impressão de que o projeto seria similar aos convênios particulares de saúde, inclusive citando as cooperativas Unimed e Golden Cross.

Para Arnaldo Marcolino, do Conselho Municipal de Saúde, o plano de Tuma tem o objetivo de iludir o eleitorado com propostas que dificilmente serão implantadas.

"É urna tentativa de reeditar o PAS de forma disfarçada", diz o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes.

O candidato promete ainda o fim das filas nas unidades de saúde e distribuição de carnes aos usuários do sistema, no qual o paciente marca o dia e o horário do atendimento.

Promete também empregar mais 3.000 pessoas entre médicos e enfermeiros, além de priorizar o idoso com o atendimento domiciliar. Para viabilizar o programa, argumenta que irá utilizar

recursos que hoje são destinados ao PAS —cerca de R$ 600 milhões anuais, o orçamento da Secretaria Municipal da Saúde. Em geral, os convênios médicos destinam cerca de R$ 60 a R$ 70 por mês para dar atendimento ao associado. As estimativas indicam que cerca de 6 milhões de paulistanos dependem do atendimento público. Com esses números, seriam necessários cerca de R$ 420 milhões mensais destinados ao setor ou cerca de 5 bilhões anuais. O orçamento total da prefeitura é de aproximadamente R$ 7,6 bilhões.

O ex-secretário de Saúde de São Paulo, José Aristodemo Pinotti, afirma que qualquer projeto de saúde para capital que não se enquadre nos moldes do SUS (Sistema Único de Saúde) pode ser considerado como "artefato mirabolante criado por marqueteiros políticos em época de eleição".

Segundo Pinotti, antes da contratação de funcionários, a prefeitura deveria realocar cerca de 10 mil servidores da saúde que estão atuando em outras áreas. De acordo com seus cálculos, com o ingresso no SUS, São Paulo receberia uma injeção de recursos de pelo menos R$ 400 milhões por ano. "Não existe mágica", disse.

(Roberto Cardinale)