FOLHA DE S. PAULO BRASIL segunda-feira, 27 de agosto de 2001 A7
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ELEIÇÃO NO ESCURO Políticos que teriam recebido R$ 200 mil para aprovar reeleição de FHC serão candidatos em 2002
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Acusados de vender voto preparam retomo
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Deputados que receberam R$ 200 mil para votar pela emenda da reeleição.

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FÁBIO ZANINI

DA REPORTAGEM LOCAL

Quatro anos depois do escândalo da compra de votos para a reeleição, os políticos acreanos envolvidos no episódio preparam sua volta à cena nacional.

O escândalo veio à tona em maio de 1997, a partir de gravações reproduzidas pela Folha de conversas dos então deputados federais Ronivon Santiago e João Maia (PFL) com um interlocutor identificado como "Senhor X".

Nos diálogos, os deputados dizem que receberam R$ 200 mil para votar pela emenda da reeleição. O portador seria o então governador acreano, Orleir Cameli, 52. As conversas implicavam três outros deputados: Zila Bezerra, Osmir Uma e Chicão Brígido.

A denúncia relegou os envolvidos ao limbo político. Ronivon, Osmir, Maia e Cameli foram forçados a sair de cena. Quem não o fez refugiou-se na política local —caso de Chicão, hoje vereador em Rio Branco. A exceção foi Zila, que, mesmo com a denuncia, reelegeu-se para a Câmara em 1998.

Agora, faltando pouco mais de um ano para uma nova eleição, eles planejam o retorno. Um dos objetivos é obter imunidade parlamentar e proteger-se da ação que corre na Justiça Federal.

Ronivon, 50, e Chicão, 43, já estão em campanha para deputado federal. O primeiro, que foi expulso do PFL e renunciou ao mandato, diz ter convites para voltar à sigla ou ir para o PPB.

Empresário do setor agrope-cuário, Ronivon não se candidatou nas duas últimas eleições e passou os últimos anos dedicando-se aos negócios. Para voltar, conta com a ajuda da mulher, ligada a grupos evangélicos. "Tenho recebido muitas manifestações de apoio do povo". Quanto ao escândalo, diz não temer prejuízo: "Ninguém lembra mais".

Chicão, no PMDB, também pretende voltar à Câmara dos Deputados, mas pode também sair para o Senado. No ano passado, Chicão foi eleito vereador na capital com 2.600 votos, o primeiro colocado, Mas considera que um lugar na Câmara é "seu direito".

Osmir Lima (PFL), 56, é outro que sonha com um novo mandato de deputado federal. Suspeito de ter embolsado R$ 200 mil, diz que não tem dinheiro para a campanha.

Por isso, pensa em se contentar com uma

vaga de suplente de senador. "Dessa turma aí eu sou o único proletário", diz.

João Maia, 59, outro que renunciou ao mandato, recupera-se de problemas de saúde. Já Zila pensa em se candidatar à reeleição, mas pode tentar uma vaga no Senado.

Após três anos recolhido em Cruzeiro do Sul (segunda cidade do Acre), o ex-governador Orleir Cameli (PFL) também retomou os contatos políticos.

Em 1998, abalado por uma série de escândalos (teria quatro CPFs), desistiu de concorrer à reeleição. A imunidade parlamentar seria oportuna —ele responde a mais de 20 processos. O PFL conta com ele para ser candidato ao Senado ou a deputado federal "Eu não tenho desejo de voltar à política. Mas às vezes me dá vontade, de tanto que me enlamearam, para provar minha integridade", diz.

 

Editoria de Arte/Folha Imagem

OS ENVOLVIDOS NA COMPRA DE VOTOS

Chicão Brígido

Vereador em Rio Branco pelo PMDB, diz que pretende se candidatar a deputado federal nas eleições de 2002.

João Maia

Ex-deputado pelo PFL, teve conversa gravada com o "Senhor X". Com

Orleir Cameli

O ex-governador teria sido o portador do dinheiro do governo federal que pagou pelos votos dos deputados.

Osmir Lima

Ex-deputado federal pelo PFL, gosta ria de disputar a Câmara Federal, mas diz que não tem recursos. A alternativa é sair como suplente de senador

Ronivon Santiago

Expulso do PFL, também teve diálogo com o "Senhor X" gravado. Sem mandato

desde 1997, pretende se candidatar a deputado federal. Diz ter propostas de PFL e PPB e de

outros partidos.

Zila Bezerra

Deputada federal pelo PTB, pode se candidatar à reeleição ou deixar a vaga para seu marido, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Aluizio Bezerra. Também é cogitada para sair para o Senado